O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em conversa informal captada durante a cúpula do G7, na França, que “nunca fui esquerdista” e que o mundo deveria seguir o “caminho do meio”. A declaração foi publicada nesta quarta-feira (17) pela revista VEJA, que informou que o diálogo ocorreu com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.
Segundo a reportagem, Lula disse que sua trajetória foi marcada pela atuação sindical e por relações com movimentos trabalhistas da Alemanha, Itália e Espanha. A fala ganhou repercussão por ocorrer em um momento de forte polarização política no Brasil e por contrastar com discursos anteriores do próprio presidente em eventos ligados à esquerda.
Um dos episódios que voltou a circular nas redes ocorreu em junho de 2023, durante a abertura do Foro de São Paulo, em Brasília. No discurso oficial, Lula afirmou que ser chamado de comunista ou socialista não o ofendia e declarou que isso “nos orgulha muitas vezes”, em referência ao campo político representado no evento. O Foro reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina e do Caribe.
Outro momento citado por críticos ocorreu em dezembro de 2023, após a aprovação do nome de Flávio Dino para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Na abertura da 4ª Conferência Nacional da Juventude, Lula comemorou a aprovação do então ministro da Justiça e afirmou que o governo havia conseguido colocar um “ministro comunista” na Suprema Corte. A CNN Brasil registrou que o presidente disse estar feliz com a aprovação de Dino pelo Senado.
Na mesma conferência, Lula também defendeu que a juventude ajudasse a “formar novos socialistas” e “mais gente de esquerda” no país, conforme registro do próprio Palácio do Planalto e de veículos que acompanharam o evento.
Flávio Dino tomou posse como ministro do STF em 22 de fevereiro de 2024. A cerimônia ocorreu no plenário da Corte, com a presença de Lula, de autoridades do Judiciário e dos presidentes da Câmara e do Senado. Segundo a Agência Brasil, Dino assumiu a vaga aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber.
A repercussão da fala no G7 abre espaço para interpretações políticas distintas. Aliados podem tratar a declaração como uma tentativa de reforçar a imagem de Lula como líder pragmático e negociador. Adversários, por outro lado, tendem a comparar a fala no exterior com declarações anteriores em que o presidente se aproximou publicamente de bandeiras da esquerda, do socialismo e de lideranças identificadas com esse campo político.
A declaração também ocorre em um cenário de reorganização política para 2026, no qual Lula busca manter diálogo com setores de centro, enquanto enfrenta críticas da direita e cobranças de setores mais ideológicos de sua própria base.
O Município News segue acompanhando os desdobramentos da repercussão e eventuais manifestações oficiais do governo federal, do Partido dos Trabalhadores e de lideranças da oposição.
Gabriela, Repórter – Jornalismo, Município News














