Poá voltou ao centro de uma disputa tributária bilionária envolvendo o Itaú e a Prefeitura de São Paulo. O caso ganhou repercussão após a capital paulista atualizar a lista dos 50 maiores devedores inscritos na Dívida Ativa do município, ranking liderado pelo grupo Itaú, com R$ 20,05 bilhões em débitos, segundo a própria Prefeitura.
De acordo com a administração municipal paulistana, os 50 maiores devedores somam cerca de R$ 56,4 bilhões. Apenas os cinco primeiros concentram aproximadamente R$ 32 bilhões, o equivalente a 58,5% do total listado. O Itaú aparece na primeira posição, seguido por Facebook Serviços Online do Brasil, Unimed Paulistana, Banco do Brasil e Notre Dame Intermédica.
A relação foi divulgada pela Prefeitura de São Paulo como parte de uma política de transparência da Procuradoria Geral do Município e atende a requerimento aprovado pela Câmara Municipal. Segundo a Prefeitura, os dados se referem a débitos inscritos na Dívida Ativa municipal.
O caso também passou a ser acompanhado pela CPI dos Devedores da Câmara Municipal de São Paulo, comissão que investiga empresas com débito tributário junto ao município, incluindo valores relacionados a IPTU, ISS e outros tributos. Em reunião realizada em 11 de junho de 2026, o colegiado aprovou convites para representantes de empresas como Itaú, Bradesco, Sabesp, Caixa Econômica Federal, Enel, B3, Santander e outras.
A ligação com Poá aparece no centro da controvérsia porque parte da discussão envolve operações atribuídas ao Itaucard no município do Alto Tietê. Reportagem publicada pelo Metrópoles em 3 de julho de 2026 afirma que a cobrança envolve valores de ISS que, segundo a Prefeitura de São Paulo, deveriam ter sido recolhidos à capital paulista.
O tema, porém, é contestado pelo Itaú. Em posicionamento publicado em seu site Factópoles, o banco afirma que a discussão é tributária e judicial, relacionada a qual município deveria receber o ISS de operações mantidas em Poá entre 1992 e 2019. A instituição diz que os tributos foram recolhidos regularmente ao município de Poá e nega a existência de fraude.
Ainda segundo o Itaú, a Prefeitura de São Paulo contesta a localização das operações e tenta cobrar os mesmos valores, o que, na avaliação do banco, poderia gerar dupla tributação. A instituição afirma ter convicção da regularidade das operações e sustenta que as cobranças estão suspensas por garantias apresentadas na Justiça.
A discussão não é recente. Em 2019, a Câmara Municipal de São Paulo noticiou que a então CPI da Sonegação Tributária investigava possíveis fraudes e sonegações fiscais de empresas com atuação na capital, mas registradas em outros municípios. Na ocasião, o caso do Itaú envolvia suspeitas sobre registros em cidades da Região Metropolitana para pagamento de menos impostos, ainda que as operações fossem apontadas como administradas a partir de São Paulo.
Naquele mesmo ano, a Câmara informou que o grupo Itaú apresentou proposta para transferir atividades de empresas para a cidade de São Paulo. Entre elas estavam operações de leasing e gestão de cartões do Banco Itaucard, até então localizadas em Poá. Segundo estimativas do próprio grupo citadas pela Câmara, a transferência representaria arrecadação de R$ 230 milhões ao ano em ISS para a Prefeitura de São Paulo.
Para Poá e para o Alto Tietê, o caso tem relevância regional porque coloca o município em uma discussão de grande impacto fiscal entre uma das maiores instituições financeiras do país e a maior cidade brasileira. A disputa envolve não apenas o valor bilionário apontado pela Prefeitura de São Paulo, mas também a interpretação sobre onde o imposto deveria ser recolhido.
Até o momento, o caso segue tratado como disputa tributária e judicial. O Município News registra que há versões divergentes: de um lado, a Prefeitura de São Paulo inclui o grupo Itaú no topo da lista de maiores devedores; de outro, o banco nega fraude, afirma que recolheu tributos em Poá e diz que a cobrança está suspensa por garantias judiciais.
O Município News seguirá acompanhando o caso e atualizará esta publicação caso haja novo posicionamento oficial da Prefeitura de São Paulo, da Prefeitura de Poá, da Câmara Municipal de São Paulo ou do Itaú.
Gabriela Moraes, Repórter – Jornalismo, Município News














