O número de pessoas registradas em situação de rua no Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico, praticamente dobrou no Brasil entre dezembro de 2022 e junho de 2026, segundo levantamento publicado pela Gazeta do Povo.
De acordo com a reportagem, o país tinha 198,7 mil pessoas nessa condição no fim de 2022. Em junho de 2026, o total chegou a 392,4 mil, o que representa crescimento de 97,4% no período.
O CadÚnico é a principal base de dados do governo federal para identificar famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade social. No caso da população em situação de rua, o cadastro é usado para viabilizar acesso a programas sociais, serviços socioassistenciais e ações de planejamento público.
Apesar da alta expressiva, o dado exige cautela na interpretação. O CadÚnico não é um censo nacional da população em situação de rua, mas uma base administrativa formada a partir de registros feitos principalmente pelos municípios. Por isso, o crescimento pode indicar tanto agravamento da situação social quanto melhora na identificação e atualização cadastral dessas pessoas.
A Gazeta do Povo informou que, desde o início de 2023, o sistema passou a registrar, em média, cerca de 4,6 mil pessoas a mais por mês em situação de rua. A reportagem também aponta que o aumento se manteve mesmo após o período mais crítico da pandemia, quando havia expectativa de que parte da alta pudesse estar relacionada a cadastros represados.
Outro levantamento, citado em reportagem da Agência Brasil republicada pelo Poder360, apontou que o CadÚnico registrava 388.855 pessoas em situação de rua no país em maio de 2026. O mesmo levantamento, associado ao Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG, indicou que São Paulo concentrava 159.290 registros, o maior número entre os estados brasileiros.
O crescimento ocorre em meio à execução do Plano Nacional Ruas Visíveis, lançado pelo governo federal em dezembro de 2023. O plano foi apresentado com investimento inicial de R$ 982 milhões e reúne ações em áreas como assistência social, segurança alimentar, saúde, cidadania, educação, cultura, habitação, trabalho, renda e produção de dados.
Em documentos oficiais, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informa que o Plano Ruas Visíveis reúne 99 ações organizadas em sete eixos estratégicos e envolve articulação entre 11 ministérios, governos estaduais, municípios, sociedade civil, universidades e instituições públicas.
A situação preocupa porque a presença de mais pessoas vivendo nas ruas reflete um conjunto de problemas sociais, como perda de renda, desemprego, rompimento de vínculos familiares, falta de moradia, dependência química, violência, migração, crises econômicas e eventos climáticos extremos.
Para especialistas da área social, o desafio não se resume ao cadastramento. O enfrentamento da situação de rua depende de políticas integradas, com acolhimento, acesso à saúde, documentação, assistência social, geração de renda e, principalmente, soluções de moradia.
No estado de São Paulo, que concentra o maior número absoluto de registros, o tema ganha peso ainda maior para as cidades da Grande São Paulo, Alto Tietê e regiões metropolitanas, onde a pressão por moradia, emprego e serviços públicos afeta diretamente a população mais vulnerável.
O Município News seguirá acompanhando os dados oficiais e os desdobramentos das políticas públicas voltadas à população em situação de rua no Brasil e em São Paulo.
Gabriela Moraes, Repórter – Jornalismo, Município News














